Desde cedo me habituei a partidas e chegadas e sempre me apoiaste. Sempre me ensinaste que, independentemente da distância, o que realmente importa é aproveitar o tempo com as pessoas que nos são queridas, as pessoas de quem realmente gostamos. E sempre o fiz. Sempre aproveitei ao máximo a presença das pessoas, atenta aos pequenos pormenores e indiferente ao mundo lá fora. Sempre o fiz como querias, Pai, mas e contigo? Sempre achei que te teria comigo durante tanto mais tempo,Pai; sempre pensei que te poderia abraçar sempre e sentir o teu calor todos os dias; sempre senti que estarias ao meu lado quando terminasse o curso e esse nosso sonho se realizasse. Nunca imaginei que me deixasses assim, Pai, de repente e sem qualquer aviso prévio... sem um único sinal de que as nossas vidas iriam mudar para sempre.
Mas mudaram. E mudaram da pior maneira, Pai. Não era suposto deixares-me assim, não era suposto partires sem realizarmos tantos projectos a três, sem te dizermos tantas coisas que queriamos dizer e sem ouvir tantas coisas que queriamos ouvir. Não é justo.
Agora também tu partiste. Não sei que horas são aí no sítio de onde me vês, nem em que estação do ano vivem os Anjos; mas sei que um dia nos vamos reencontrar e nada mais vai importar.
Até lá, meu anjo*
"Nossos corpos também são pátria"
Há 8 meses

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