26 novembro 2008

E não me venham dizer que é a lei natural da vida, que um dia ia ter que acontecer e que tenho que ser forte para seguir em frente e acabar o curso, que era o nosso sonho. Não me venham com essas merdas porque, apesar de ser a lei natural da vida, não é suposto uma pessoa aparentemente saudável cair nos braços da filha de 20 anos enquanto conversam.

A morte

É uma merda. Atinge-nos por dentro, onde dói mais, tornando doloroso até o respirar. Queima-nos por dentro, esvazia-nos a alma e esventra-nos os sentidos. Afecta-nos a concentração e traz recordações. Umas boas, outras menos. É um vazio impreenchível, uma dor insanável que nos mata aos poucos a cada novo amanhecer. Ai o amanhecer! Como dói a percepção de que não tivemos apenas um sonho mau. Como é terrível saber que o lado direito daquela cama não será mais ocupado, que a caneta que te acompanhou durante tantos anos não mais assinará o teu nome. Como dói sentir que o teu cheiro se desvanesse um bocadinho mais de cada vez que se abrem as tuas gavetas, cheias com as tuas coisas que cá continuam. Tento manter as tuas coisas nos lugares onde as alinhavas com a precisão que sempre te caracterizou. Mantive as marcas dos livros que não terminaste de ler nos sítios onde as deixaste, adoptei como minha a lapiseira que usavas, embora não saiba onde compravas as minas para tão antigo modelo. Olho para a tua fotografia que tenho no quarto a cada noite e a cada manhã, e tento manter vivas as lembranças de 20 anos a teu lado. 20 anos de ensinamentos, de cumplicidade, de valores e princípios que desde sempre me incutiste e pelos quais me rejo e me hei-de reger para, de alguma forma, seguir o melhor modelo que alguma vez poderia ter tido: tu, o meu herói desde sempre, o meu braço direito e, acima de tudo, um amigo.
Não é justo, caramba. Não era suposto. Falta-nos fazer tanta coisa, bolas. Ficou tanta coisa por fazer e por dizer.
Isto é uma merda.

18 novembro 2008

De volta à vida

Escritório, faculdade, stress, mini-testes, orais, frequências, trânsito e confusão.
Voltei à vida.

10 novembro 2008

Anjo

Desde cedo me habituei a partidas e chegadas e sempre me apoiaste. Sempre me ensinaste que, independentemente da distância, o que realmente importa é aproveitar o tempo com as pessoas que nos são queridas, as pessoas de quem realmente gostamos. E sempre o fiz. Sempre aproveitei ao máximo a presença das pessoas, atenta aos pequenos pormenores e indiferente ao mundo lá fora. Sempre o fiz como querias, Pai, mas e contigo? Sempre achei que te teria comigo durante tanto mais tempo,Pai; sempre pensei que te poderia abraçar sempre e sentir o teu calor todos os dias; sempre senti que estarias ao meu lado quando terminasse o curso e esse nosso sonho se realizasse. Nunca imaginei que me deixasses assim, Pai, de repente e sem qualquer aviso prévio... sem um único sinal de que as nossas vidas iriam mudar para sempre.
Mas mudaram. E mudaram da pior maneira, Pai. Não era suposto deixares-me assim, não era suposto partires sem realizarmos tantos projectos a três, sem te dizermos tantas coisas que queriamos dizer e sem ouvir tantas coisas que queriamos ouvir. Não é justo.

Agora também tu partiste. Não sei que horas são aí no sítio de onde me vês, nem em que estação do ano vivem os Anjos; mas sei que um dia nos vamos reencontrar e nada mais vai importar.
Até lá, meu anjo*